Aposta em imóveis menores e condomínios com vigilância

“Otimismo cauteloso”: é como Cláudio Hermolin, presidente da Ademi-Rio e da Brasil Brokers no estado, define o momento do mercado imobiliário carioca, que vê a retomada dos empreendimentos. Em janeiro e fevereiro, os lançamentos na carteira da imobiliária dele cresceram 135% na comparação com o primeiro bimestre de 2017, com estimativa de R$ 242 milhões em vendas.
– É um início de ano com mais confiança do lado das incorporadoras, que começam a botar lançamentos no mercado fora do segmento Minha Casa Minha Vida, que seguiu bem mesmo durante a recessão. Já há previsão de mais lançamentos este ano. E isso é uma sinalização positiva – diz Hermolin.
EXPECTATIVA DE JURO MENOR
A volta por cima, no entanto, sustenta Hermolin, será lenta e gradual. É que o tombo foi grande. Em 2013, os lançamentos feitos no Rio somavam R$ 11,27 bilhões em previsão de vendas. Em 2015, desabaram a R$ 2,75 bilhões, chegando a R$ 1,51 bilhões no ano passado.
– Nas áreas em que o estoque (de imóveis novos para venda) está se reequilibrando, os lançamentos estão aparecendo. E nessas regiões o cenário já é positivo – avalia Pedro Seixas Corrêa, professor da FGV e especialista no mercado imobiliário.
Para Rubem Vasconcelos, presidente da Patrimóvel, a indicação é favorável, mas ainda não é a retomada de fato.
– O mercado imobiliário precisa começar de novo, chamar os investidores, reposicionar preços. A renda está no caminho de volta. Temos as taxas de juros mais baixas da história. A do crédito imobiliário também vai cair – lista ele, alertando para os desafios de um ano de indefinição política e eleições.
A Patrimóvel, porém, já participou de três lançamentos este ano, com resultados positivos:
– Fizemos o Stories, em Jacarepaguá, e o Reserva do Conde, na Tijuca, com 30% de vendas em cada, além do projeto da Piimo, no Flamengo, com quase 70%. Isso não acontecia no início do ano passado.
Para voltar à ativa em um mercado no qual o preço do metro quadrado encolheu e em meio à crise na segurança pública – que faz as pessoas evitarem casas ou prédios mais expostos até em áreas nobres, como a Gávea -, construtoras estão revisando seus modelos.
– Antes, o chamariz era a farta oferta de lazer. Agora, passou a ser custo acessível e segurança – diz Leonardo Schneider, do Secovi-Rio.
A RJZ Cyrela planeja lançar três projetos em 2018:
– Avaliamos três lançamentos: um retrofit num prédio do Flamengo, no Morro da Viúva, e dois novos em Laranjeiras e Tijuca – diz Rogério Jonas Zylbersztajn, vice-presidente da Cyrela.
PEQUENAS E MÉDIAS: CENÁRIO BOM
A Tegra, que não fez lançamentos no ano passado, tirou o Stories da gaveta. O projeto de 288 unidades de dois e três quartos para famílias de classe média foi desenhado seguindo pesquisas de demanda:
– Vimos a janela de oportunidade em Jacarepaguá. Pesquisamos o perfil da região para ter o custo mais justo possível em construção e um valor que coubesse no bolso do consumidor. Oferecemos segurança, lazer e taxa de condomínio reduzida. Quem quiser continuar no mercado terá de se adaptar – opina Marco Adnet, da Tegra, que prevê lançamento similar para setembro, no Méier.
A analista de sistemas Isadora Lemos comprou um apartamento do Stories na planta. Antiga moradora de Copacabana, optou pelo empreendimento devido à proximidade do seu trabalho, na Barra, e de onde vive hoje com o namorado, no Pechincha:
– Levei em conta a opção por um condomínio devido à violência, já que oferece recursos como vigilância e porteiros. E o prédio tem sistemas que geram desconto no condomínio.
Outra mudança é o maior número de projetos tocados por pequenas e médias construtoras do Rio. É que as grandes focam em escala, em empreendimentos acima de R$ 80 milhões em estimativa de vendas. As miúdas partem de R$ 20 milhões.
– Pequenas e médias construtoras têm o negócio na mão, não ficaram alavancadas como as grandes. Tivemos lançamentos em todos os anos da recessão. E faremos outro este ano – explica Sanderson Fernandes, à frente da Avanço.
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