Vantagens e cuidados na compra de um imóvel usado

 

A compra de imóvel é sempre um tema arduamente avaliado. Por se tratar de um bem durável e de alto custo, o comprador deve considerar uma série de pormenores antes de optar pela compra. Ao se tratar da aquisição de um imóvel usado – que normalmente atraem pelo preço mais em conta em relação aos novos e pelo espaço maior que oferecem –, adotar alguns cuidados específicos podem fazer com que a transação ocorra de forma segura.

O primeiro deles diz respeito à conservação e aspectos técnicos do bem. Muitas vezes, são imóveis antigos, que podem estar deteriorados pelo tempo. Quando o designer de interiores Paulo Brites, de 52 anos, foi comprar o apartamento onde hoje mora, o imóvel já tinha mais de 50 anos de construção e apresentava problemas causados pelo desgaste natural. “Colunas hidráulicas tinham vazamento, a parte elétrica estava obsoleta, os revestimentos estavam gastos e havia um armário infestado de cupins”, diz.

Por ter localização privilegiada na região central e estar com preço de venda acessível, Brites não poupou esforços para comprar e, depois, reformá-lo. “Troquei toda a tubulação de água e instalei um aquecedor a gás. Refiz a elétrica com fios, disjuntores, tomadas e quadro novos. Substituí os revestimentos, instalei ar condicionado e fiz marcenaria em todos os cômodos. Ou seja, aproveitei somente os tijolos do imóvel, mas pude deixá-lo do meu gosto”, conta.

“As pessoas adotam muito a estratégia de reformar os imóveis antigos. E o comprador passa a ter uma casa praticamente nova com áreas confortáveis e localização central. Essa é uma lógica que tem acontecido bastante em São Paulo”, afirma o vice-presidente de Intermediação Imobiliária e Marketing do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Flávio Prando.

No caso de interesse por uma edificação antiga, a orientação de especialistas é que o futuro morador busque acompanhamento profissional na hora da vistoria. “Nossa sugestão é que as pessoas contratem empresas que fazem avaliação técnica. Não é um valor caro pelo benefício que pode proporcionar, no sentido de identificar previamente os eventuais defeitos do imóvel e avaliar quanto custa para repará-los. Isso, inclusive, pode ser usado na negociação. Quando se tem um laudo técnico sobre o estado do imóvel, tem-se condições melhores de discutir preços”, diz Prando.

Outro alvo de cautela na aquisição de um usado tem a ver com a documentação. Antes da compra do imóvel, é indicado que se verifique uma série de documentos que vão garantir a legalidade do bem e a idoneidade do vendedor. “É preciso fazer uma pesquisa perante cada ente público. São documentos fundamentais para que o comprador não corra nenhum tipo de risco”, afirma Stephanie Gomes, advogada do departamento de Direito Imobiliário do Braga Nascimento e Zilio Advogados.

A documentação deve ser providenciada pelo vendedor e é dever do corretor orientar o cliente sobre essas questões. “Segundo o artigo 723 do Código Civil, o corretor é responsável por esclarecer todos os aspectos da transação, sob pena de responder por perdas e danos”, diz o presidente do Conselho Regional de Fiscalização do Profissional Corretor de Imóveis (Creci- SP), José Augusto Viana Neto. No caso de um apartamento, convém também analisar a convenção do condomínio e conferir se as regras estão de acordo com o que pretende o comprador.

O direto- executivo da Rede Lopes, Matheus Fabrício, lembra que um dos principais atrativos dos imóveis mais velhos é o espaço que oferecem. “Os prédios mais antigos, em geral, têm plantas mais amplas, ambientes diferentes. É um diferencial importante.” Em contrapartida, o novo proprietário pode ter de abrir mão, por exemplo, de área de lazer nas áreas comuns.

O arquiteto Lisandro Piloni, de 40 anos, escolheu um apartamento antigo em Perdizes como lar. Ele e o marido buscavam dimensões diferenciadas com boas possibilidades de alterações no layout. “Imóveis mais velhos têm plantas mais bem resolvidas. Optamos por conta das metragens e dos ambientes espaçosos”, conta Piloni.

Ele reformou inteiramente o imóvel de 110 metros quadrados de área útil. Mesmo assim, o arquiteto conta que os custos foram menores do que se tivesse comprado um imóvel novo. “Para conseguir pagar o que paguei neste usado, teria de comprar um apartamento de 60 metros quadrados. E olhe lá.”

A advogada Stephanie aponta outro atrativo para um usado.

“A melhor parte é que já fizeram o test drive. Então, quem já morou no local pode dar uma luz se realmente é aquilo que você quer”, diz. Esse foi o ponto principal que levou a enfermeira Maria do Carmo Ferreira, de 55 anos, a escolher o seu apartamento. “Gosto de ver aquilo que já está pronto e me sentir dentro dele. Na planta, a gente vê o decorado, mas deixar daquele jeito custa caríssimo. Então eu preferi um que já estava pronto porque eu já sabia me organizar com o que eu queria colocar dentro dele.”

Em relação a preços, os profissionais do mercado reafirmam a vantagem. “O usado tem valor inferior ao de lançamento, porque já houve depreciação”, afirma Fabrício. Prando ainda lembra que o preço também varia de acordo com a necessidade do proprietário. “Muitas pessoas precisam vender para pagar dívidas.”

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