Venda de imóveis cresce no Rio, e preço médio do metro quadrado para de cair

 

O mercado imobiliário no Rio se recupera lentamente da má fase. De acordo com estudo do Secovi-Rio, no segundo trimestre de 2018 foram negociados 31% mais imóveis do que nos primeiros três meses do ano. O mês de junho — quando a Caixa ampliou o limite de financiamento para 80% — registrou o melhor resultado: 4.263 unidades negociadas, 30% a mais do que no mês anterior.

Apenas no segundo trimestre foram negociados 10.817 imóveis, 31,2% a mais do que o mesmo período de 2017 (8.242).

De acordo com Claudio Hermolin, presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), outro indicador importante que demostra uma leve retomada é a velocidade média na venda de lançamentos.

— O mercado imobiliário carioca já dá sinais de recuperação. Além dos números apontarem bairros da Zona Oeste, como Jacarepaguá, Barra e Recreio, como os que mais lançaram e venderam imóveis este ano no Rio, recentes novidades nas zonas Sul e Norte aumentaram a confiança do mercado — afirma.

A construtora INTI Soluções Imobiliárias percebeu tal melhora. Segundo o diretor, Andre Kiffer, diferentemente do ano passado, em 2018 a empresa fez diversos lançamentos no primeiro semestre. E alguns tiveram 70% das unidades vendidas no primeiro mês.

— Zeramos o estoque do nosso empreendimento no Humaitá e lançamos um novo em Ipanema — comemora.

É hora de comprar?

Na Calçada, as vendas de empreendimentos no Recreio têm puxado a retomada, seguidas pelos imóveis da Zona Norte.

— Os estoques baixaram e consequentemente os novos lançamentos virão. Será uma nova fase para o mercado — aposta Bruno Oliveira, gerente de marketing.

Paulo Porto, professor da FGV, considera que 2017 foi tão desastroso para o mercado imobiliário do Rio que qualquer avanço nos números vai ser sinal de retomada, uma luz no final no túnel. No entanto, ele acredita que o setor só voltará a crescer, de fato, em 2020.

— Há um tripé no mercado imobiliário : crédito, renda e confiança. Com as medidas da Caixa — aumento da cota de financiamento de imóveis para 80% e uso do FGTS para a compra de imóvel de até R$ 1,5 milhão — o crédito retornou a um ponto bom.

Outros dois pilares, porém, ainda estão muito em baixa: a falta de confiança no futuro por parte dos brasileiros e o altíssimo índice de desemprego — 12,7 milhões, segundo o IBGE.

Segundo ele, quem tem dinheiro disponível está passando por um bom momento para compra já que, com os estoques altos, os incorporadores dão descontos entre 20% a 30% e diversos benefícios a quem adquirir imóveis novos.

Leonardo Schneider, vice-presidente do Secovi Rio, concorda, lembrando que os preços estão mais baixos, que há possibilidade de negociação e que a taxa Selic está em um patamar relativamente baixo.

Um estudo da Imovelweb divulgado sexta-feira mostrou que, pela primeira vez desde janeiro de 2017, o preço do metro quadrado deixou de cair no Rio.

Em setembro de 2018, o valor do metro quadrado médio na região se manteve em R$ 5.951/m². Nos últimos 12 meses, a queda acumulada neste valor, na cidade, foi de 2,5%.

— É hora de pesquisar com calma, de visitar os imóveis — aconselha ele.

Para os proprietários que desejam vender, Schneider alerta que é preciso sempre lembrar que o mercado imobiliário vive ciclos: surfou uma grande valorização entre 2009 e 2012, mas agora está em um período de baixa.

— Há muita oferta. Então , o proprietário deve flexibilizar, deve oferecer atrativos, seja um desconto ou uma benfeitoria. Se ele não tem dinheiro para a obra, ofereça um bom desconto. — aconselha.

Minha Casa, Minha Vida impulsiona vendas

Segundo o estudo do Secovi Rio, embora a Zona Norte tenha liderado o ranking do número de negociações, os cinco bairros com maior volume de vendas estão na Zona Oeste. O programa “Minha Casa, Minha Vida” ajudou a impulsionar as negociações em alguns bairros, entre eles Santa Cruz, onde foram negociadas 760 unidades residenciais e comerciais (com destaque para 309 casas) no segundo trimestre deste ano.

A Barra, com 752 unidades, ocupa a segunda posição do ranking, seguida por Campo Grande, com 675 imóveis, Recreio (580) e Jacarepaguá (496).

Analisando-se as faixas de preço, a maior parte desses imóveis (58%) é de apartamentos que custaram menos de R$ 300 mil. A faixa seguinte (R$ 301 mil a R$ 600 mil), corresponde a 24% das vendas. Isto mostra que o mercado popular, mesmo com toda crise no Rio, continuou com as vendas em alta.

— Para a classe C, existe uma demanda reprimida muito forte no setor de habitação que foi muito fomentada nos últimos 16 anos, até mesmo com a criação deste programa habitacional. Além disso, não sofreu tão penosamente com o desemprego — analisa o professor Paulo Porto.

Uma das líderes do mercado de MCMV, a MRV está tendo ótimos resultados nos bairros de Campo Grande e Santa Cruz.

— Todos os lançamentos na Zona Oeste têm sido sucesso. O Rio Oceane, em Campo Grande, está 60% vendido — diz David Dornas, gestor comercial regional.

Também voltada para o programa habitacional, a mineira CAC Engenharia comemora os resultados no Rio. Com condomínios em Campo Grande e na Baixada, a empresa conseguiu atingir a “marca histórica” de mais de 100 unidade vendidas em um dia, afirma Bruno Teodoro, gerente comercial da CAC Engenharia.

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