A bem-vinda ocupação da região do Porto por novas empresas

 

Depois de longo período de marasmo, influenciado pela grave recessão de 2015/2016, o Porto Maravilha volta a ser impulsionado por ventos favoráveis. Grandes empresas começam a se mudar para a região, seguindo o ambicioso roteiro traçado pelo projeto, mas que estava custando a se concretizar.

Nos últimos meses, pelo menos sete companhias anunciaram mudança para a área, entre elas Nissan, Bradesco Seguros, Fábrica de Startup e Granado, que devem ocupar prédios recém-construídos que estavam ociosos. Estima-se que, até o ano que vem, a movimentação na região deverá mais que dobrar.

Um efeito benéfico dessa migração de empresas é que elas acabam funcionando como âncoras para outros negócios. O presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto (Cedurp), Antonio Carlos Barbosa, se diz otimista com a expansão. “Parte da crítica que recebemos é quanto à escassez de serviços e restaurantes. Mas, com as empresas vindo, os serviços vão acompanhar”, afirma.

De fato, os negócios começam a surgir, seguindo a vocação da área de abrigar atividades ligadas, principalmente, ao lazer, à cultura, à gastronomia e à indústria criativa.

Recentemente, anunciou-se que o histórico prédio do Touring Club, na Praça Mauá, abrigará o Mercado do Porto Carioca, inspirado no Mercado da Ribeira, de Lisboa. A expectativa é que o espaço gastronômico de 6 mil metros quadrados, onde o grupo Best Fork Experience pretende investir R$ 45 milhões, receba cerca de 100 mil pessoas por mês. A abertura está prevista para novembro do ano que vem. O prédio de 1926, projetado pelo arquiteto Joseph Gire — que fez também o Edifício A Noite e o Copacabana Palace — será preservado.

Outro projeto anunciado para 2019 é uma roda-gigante de 88 metros de altura, nos moldes da London Eye, cartão-postal da capital britânica.

A revitalização da Zona Portuária é um dos maiores legados da Olimpíada Rio 2016. Um de seus méritos é ter transformado uma região degradada num novo polo de lazer e turismo, onde despontam, por exemplo, o Museu do Amanhã, o Museu de Arte do Rio (MAR) e o AquaRio, que já viraram pontos de referência da cidade.

Portanto, a chegada de empresas e empreendimentos na região é ótima notícia. Mas o projeto de consolidação do Porto não pode abrir mão da construção de moradias. É preciso que o poder público evite o erro cometido no Centro, que, diferentemente do que acontece em outras grandes cidades do mundo, só tem vida durante o horário comercial.

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