10 exposições incríveis para ver no Brasil em 2019

 

Galerias e museus seguem fazendo um bom trabalho e organizam mostras importantes no Brasil

10 exposições incríveis para ver no Brasil em 2019 (Foto:  )

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Se 2018 foi bom, 2019 promete ser ainda melhor. Pelo menos para os artista brasileiros e o público que ama ver obras de qualidade. Estamos bem representados pelo mundo: Erika Verzutti abre individual no Centre Pompidou, enquanto Luiz Zerbini estreia na Fondation Cartier, ambos em Paris. Na Holanda, será possível ver obras da dupla Bárbara Wagner & Benjamin de Burca quem visitar o Stedelijk Museum ou o pavilhão brasileiro na Bienal de Veneza. Já os espanhóis poderão conhecer o trabalho da mineira Sara Ramo que será exposto no Museo Reina Sofía, em Madri.

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Na América, teremos Jonathas De Andrade que ganhará importante individual Museum of Contemporary Art Chicago e Paulo Nazareth com uma instalação “imperial” no Institute of Contemporary Art, em Miami.

Mas uma turma da pesada também poderá ser apreciada por aqui. O IMS trará Harun Farocki, a Galeria Bergamin & Gomide vai expor ninguém menos que Antoni Tàpies e o CCBB articulou uma mostra sobre Paul Klee. Michelangelo Pistoletto que este ano desembarca em Santiago promete fazer uma exposição por aqui, mas a data e local ainda não estão confirmados.

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Corpos femininos, negros e indígenas continuam em pauta, mas também teremos exposições que questionam outros aspectos da sociedade, como a experiência nas cidades e como processamos um mundo tão cheio de imagens e tecnologia. Confira abaixo dez exposições imperdíveis em 2019!

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1. Harun Farocki: quem é responsável? (observação e controle) no IMS

Nenhuma imagem é inocente. E a nossa noção de verdade e realidade está, cada vez mais, comprometida. Estas são as principais mensagens da maior mostra no Brasil dedicada ao cineasta e artista alemão Harun Farocki (1944- 2014). “Com formação no cinema, ele sempre questionou como as imagens participam dos sistemas de controle e como são aplicadas na observação da sociedade”, explicou Heloisa Espada, curadora da exposição Harun Farocki: quem é responsável? (observação e controle) ao lado de Antje Ehmann.

A sede carioca do Instituto Moreira Salles receberá 13 obras do artista que questionam a produção e circulação de imagens na contemporaneidade. O assunto ganha importância agora, em tempos de hiperconexão, mas o alemão já pesquisava, desde os anos 1960s, como a as formas de apresentação das imagens borram a fronteira entre realidade e ficção. “Ele comprara as relações das imagens entre a indústria cultural e a da guerra, por exemplo. Mostra como o exército americano usou programas baseados em estética e processos dos videogames para treinar soldados para a guerra do Iraque.  Também usam a realidade virtual, que são incrivelmente realistas, para tratar de traumas do pós guerra”, explica Heloisa.

O artista ressalta, ainda, a importância de prestar atenção em imagens que não costumamos analisar como algo ameaçador – caso das imagens de segurança, análise de dados e até uma manchete no jornal ( que vira uma imagem). Elas passam mensagens que parecem ingênuas, mas não são. “Nossa relação com a fotografia está diretamente ligada com a realidade, mas não é o caso das realidades virtuais ou indústria dos games. É importante, entretanto, prestar atenção nas mensagens subliminares”, enfatiza a curadora. Conclusão? O entendimento de realidade está comprometido.  Imperdível.

Em tempo:  a versão da mostra em São Paulo terá em torno de 8 obras novas abordando o tema do trabalho e como diferentes ofícios são representados na pintura e cinema

IMS RJ: 16 de fevereiro até 30 de junho
IMS SP:  setembro

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2. Paul Klee – Equilíbrio Instável no CCBB

Experimentou o Cubismo, o Expressionismo, o Construtivismo e o Surrealismo. Paul Klee (1879-1940) foi um talentoso artista que passou experimentou alguns movimentos e conviveu com outros grandes nomes da época como Wassily Kandinsky e Pablo Picasso. O suiço estudou desenho em Munique e foi professor na Bauhaus, berço do modernismo e a primeira escola de design do mundo.

Agora os brasileiros poderão ter um bom gostinho de sua obra. Abre, em fevereiro, uma mostra com cerca de 100 peças entre pinturas, papéis, gravuras, desenhos e objetos pessoais do artista. Quem assina a curadoria Fabienne Eggelhöfer, curadora chefe, diretora de exposições, acervo e pesquisa do Zentrum Paul Klee, de Berna, na Suíça.

Em suas aulas, Klee pedia para os alunos observarem o seu aquarios e as reações dos peixes – usando seus movimentos como inspiração. Para ele, todas as obras, mesmo as abstratas,  devem ter a natureza como ponto de partida e deveriam  criar movimentos com as linhas e cores. Ainda sobre sua fixação pelo movimento, ele também se inspirava nas ramificações das plantas, no crescimento das sementes, em como os rios se transformaram em córregos e no sistema de circulação do sangue. Tudo isso virava linhas e sistemas circulatórios em suas obras.

Vale notar, ainda, que o pintor amava música e dizia que as combinações de cores e a distribuição de seus pesos podem ser como sinfonias, igualmente harmoniosos ou dissonantes – ele até tocava violino para seus alunos na Bauhaus. Figuraça, ne? Passa na exposição e confira mais detalhes sobre a vida e obra de Klee.

CCBB São Paulo:13 de fevereiro até até 29 de abril.
CCBB Rio de Janeiro, entre 15 de maio e 12 de agosto
CCBB Belo Horizonte a mostra fica entre 28 de agosto e 18 de novembro.

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3. Abdias Nascimento no MAC de Niterói  

Novo queridinho do mundo artsy, Abdias Nascimento (1914-2011) ganhará uma merecida individual no MAC de Niterói. Poeta, ator, escritor, dramaturgo, artista plástico e professor universitário, Abdias foi um importante ativista dos direitos civis e humanos das populações negras.

Ele fundou e idealizou instituições pioneiras como o Teatro Experimental do Negro (TEN), que atua no Rio de Janeiro entre 1944 e 1968 e foi fechado por óbvias perseguições políticas nos anos de chumbo,  o Museu da Arte Negra (MAN), Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (IPEAFRO) e o Memorial Zumbi e do Movimento Negro Unificado (MNU).
Também se integrou ao movimento da Frente Negra Brasileira, que realizava protestos em locais públicos e trabalhava na perspectiva de integrar o negro brasileiro na sociedade de classes.

Nas artes plástica, usou símbolos e referências ao candomblé criando peças de cores vibrantes e linhas simples, mas nada simplórias. Morador da Mangueira, ele se interessava por todas as manifestações culturais da população negra carioca – constantemente representadas em suas telas. Vale notar: a maior parte de sua produção visual foi feita durante os seus 13 anos de exílio político.

Mac Niterói: De março até julho

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4. Antoni Tàpies na galeria Galeria Bergamin & Gomide

Símbolos arcanos, superfícies instigantes e cores sóbrias.O catalão Antoni Tàpies era praticante do Budismo Zen ( que se materializam em símbolos nas suas telas)  e era muito influenciado pelas filosofias existencialistas de Jean-Paul Sartre. Começou a carreira interessado pelos surrealistas e dadas e, nos anos 1970, investiu em obras que dialogavam com os italianos da Arte Povera. Muitas vezes parecia mais interessado em explorar materiais e processos do que qualquer outra coisa, ele passou, ainda, pelo expressionismo abstrato, em voga na década de 1950. Havia, ainda, em suas pinturas uma preocupação com o lado negro do cristianismo e, por isso, é possível ver a forma de uma cruz com frequência em seu trabalho. Os alicates e um pés de cabra? Evocam a Inquisição. Os paulistanos poderão ver de perto algumas de suas célebres e provocativas obras na Galeria Bergamin & Gomide.

Galeria Bergamin & Gomide: De 12 de Março

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5. Bacante na Galeria Millan

Mulher licenciosa, depravada. Esse é o significado de Bacante – nome também da individual que Regina Parra fará na Galeria Millan. A artista já vem pesquisando há algum tempo questões e julgamentos que atingem o corpo feminino. Seu foco é entender o corpo da mulher como uma ferramenta social, um lugar de afirmação e com potência. Este mesmo corpo que, por tantas vezes, foi violentado, oprimido e subjugado. “O corpo, especialmente da mulher, acaba guardando essas violências de maneira muito sutil. Quanto mais sutil, mais cruel e mais perigoso isso pode ser”

Suas inspirações estão constantemente na literatura e história. Em uma performance em Milão, por exemplo, trouxe as falas de Ophelia de Hamlet à tona para falar de opressões que parecem brandas, mas são extremamente agressivas. Parte de Bacante foi mostrada no final do ano na Fundação Marcos Amaro com telas e performances dedicadas ao tema. Mais um momento da pesquisa será visto na galeria Millan, em São Paulo.

Galeria Millan: Abril

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6. Ernesto Neto na Pinacoteca

A programação da Pinacoteca está intensa e bastante interessante. Entre os destaques, Ernesto Neto promete literalmente “causar” entre as paredes das clássicas edificações do museu com o mágico toque de Paulo Mendes da Rocha. A mostra reunirá desde obras dos anos 1980, quando ele iniciou sua carreira, até esculturas e instalações mais recentes dialogando com a arquitetura e com os corpos dos visitantes.

Nessas grandes estruturas lúdicas, tem lugar ações e rituais que revelam as preocupações atuais do artista: o ativismo em favor das causas ambientais e indígenas. Sua pesquisa escultórica aparece, nos últimos anos, unida aos aprendizados e colaborações com líderes políticos e espirituais das nações Huni Kuin. E o novo trabalho que será criado para o Octógono, irá partir da obra Um sagrado lugar, apresentada pelo artista na 57ª Bienal de Veneza, em 2017.

Pinacoteca: 30 de março – 15 de julho

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7. Grada Kilomba na Pinacoteca

As obras políticas da artista e escritora portuguesa Grada Kilomba – que trazem questionamentos  sobre as perspectivas pós-coloniais da representação da história – serão expostas ao lado de obras brasileiras  do século XIX, onde a herança africana e indígena da cultura brasileira é praticamente invisível. Um contraponto atual e bem colocado. Certamente será mais uma exposição que nos fará pensar em como o imaginário brasileiro foi construído e como chegamos nos atuais estados ainda violentos contra corpos negros.

Pinacoteca: 1 de junho – 30 de setembro

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8. Erika Verzutti na Galeria Forte Vilaça

Depois de participar da Bienal de Veneza, Erika Verzutti abre o ano bem: a partir de fevereiro a artista ganha uma exposição APENAS no Centre Pompidou, em Paris. E quando eu estava meio triste pois, este ano, só a turma lá de fora teria o prazer de ver um conjunto do seu trabalho, descobri que a Galeria Forte Vilaça abrigará uma individual da artista no segundo semestre. E aviso desde já: vale a visita.

Erika começou a trabalhar nos anos 1990 e acredita que arte deve causar um estranhamento para instigar a reflexão, mas não pode estar tão distante do cotidiano. Não à toa, ela mistura frutas (tropicais!), legumes e animais em suas esculturas. Desta forma, seu trabalho oscila entre a figuração e a abstração, entre o real e o fantástico.  Ela também faz referências à história da arte ( cita desde Brancusi até Tarsila do Amaral) e incorpora “acidentes”  – riscos, quebra e manchas – no estúdio em suas peças. Vamos ver o que ela irá aprontar em 2019.

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9. Björk Digital no MIS

A musa da música islandesa vem para o Brasil Islândia! Björk, artista-celebridade aclamada na última Bienal de Moscou, criou uma série de experiências usando realidade virtual que promete causar fila na porta do Museu de Imagem e Som. Nas diferentes cenas, a cantora transforma-se em uma nuvem digital e transporta-te para universos um tanto psicodélicos.
Faz questão de repetir sua imagem  sistematicamente num simulacro eterno da juventude alienígena que cultivou desde a década de 1990.

A parte realmente interessante, entretanto, fica por conta do aplicativo do seu álbum Biofilia – desenvolvido pela artista para a criação de composições com os sons da natureza incluindo ( quem sabe) ruídos de outro planeta. O questionamento: quando e como o homem, a natureza e a máquina devem se conectar? Geeks de plantão responderão.

MIS: junho

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10. Alexandre Arrechea na Galeria Nara Roesler

Membro fundador do coletivo Los Carpinteros, cubano Alexandre Arrechea já explorou, em diferentes mídias,  temas como a vigilância na sociedade contemporânea, a perda de privacidade e qualidades dos espaços público e privado. Também  trate de questões sociais e econômicas atuais, como o mercado de ações e os migrantes na América Latina. Eu particularmente amo as suas aquarelas, esculturas arquitetônicas e tapeçarias. Ainda neste semestre os paulistas verão novas obras do artista que une muito bem estética a indagações sobre os sistemas políticos e sociais do mundo onde vivemos.

Galeria Nara Roesler: Junho

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