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Praça General Osório, em Ipanema, ganhará projeto de revitalização

O Globo Bairros – 03 de Agosto, 2019

RIO — Um dos pontos mais movimentados de Ipanema, famoso pela sua feira hippie — declarada Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Rio de Janeiro —, a Praça General Osório, em Ipanema, vem motivando uma mobilização da Associação de Moradores e Amigos de Ipanema (Amai). Ela reivindica melhorias urgentes na conservação do local e reclama dos restaurantes que fazem parte do polo gastronômico que se concentra na Rua Jangadeiros . A prefeitura afirma que o projeto de revitalização do local está sendo elaborado e promete que as mudanças serão feitas ainda este semestre, com conclusão até o fim do ano.

— Os estabelecimentos construíram um cercado na praça, que virou uma favelinha, com grande acúmulo de quinquilharias. Eles têm autorização da prefeitura para usar o espaço, mas de maneira adequada — explica Carlos Monjardim, presidente da Amai.

Ele refere-se ao decreto nº 28.352, de agosto de 2007, da gestão do então prefeito Cesar Maia, que criou o polo para incentivar o comércio e o turismo.

— O problema é que abusaram. É preciso haver um choque de ordem na praça — diz Monjardim.
Reforma prevista até dezembro

Membro da comissão de administração da feira hippie de Ipanema, Marcos Sandro de Oliveira diz que a solução ideal seria a remoção completa dos cercados. Na impossibilidade, ele pede que os estabelecimentos tenham bom senso no uso da praça.

— Pelo decreto, o intuito é que houvesse uma contrapartida desse polo em termos de conservação do espaço público que seria utilizado, algo que não está acontecendo. Não há ordenamento, conservação e nem limpeza. Estão fazendo uma praça pública de depósito particular — diz.
Entulho. Cercado na Praça General Osório: acúmulo de objetos Foto: divulgação
Entulho. Cercado na Praça General Osório: acúmulo de objetos Foto: divulgação

Maria Amélia Loureiro, presidente da Associação de Moradores de Ipanema (Amipanema), afirma que a praça estava abandonada até a instalação do polo gastronômico da Rua Jangadeiros. Ela diz que os restaurantes pagam impostos e dão empregos, por isso devem ser apoiados pela população. E faz uma sugestão: que os restaurantes mantenham suas estruturas montadas na praça mesmo depois de seus fechamentos, evitando assim que se formem os acúmulos que estão motivando as reclamações:

— Esse é um modelo que funciona no exterior e tem tudo para dar certo aqui também. A cidade está em crise. Não se pode acabar com as coisas, mas sim se inspirar em exemplos que dão certo.

A Secretaria municipal de Urbanismo informa que executou uma vistoria no local, no início de julho, e está realizando levantamento das necessidades da praça, para que seja produzido um relatório com as medidas que devem ser tomadas para revitalizar a área. Segundo o superintendente da Zona Sul, Marcelo Maywald, a previsão é que a revitalização aconteça já neste semestre, com a conclusão até o fim do ano.

— A exemplo do que aconteceu com as praças Nossa Senhora da Paz (Ipanema) e Antero de Quental (Leblon), o projeto visa à recuperação das grades do entorno, dos bancos e do mobiliário urbano, iluminação e a parte dos jardins. Será criada uma nova área infantil e um parcão. Uma academia a céu aberto ainda está em avaliação — explica o superintendente.

Sobre a ocupação, Maywald afirma que a revitalização resolveria o problema na praça.

— A ideia é organizar e valorizar aquele espaço importante da cidade, com todo mundo se adequando — diz ele.

Fazem parte do polo gastronômico os restaurantes Banana Jack, Fazendola, Mercearia da Praça e Le Pulê. Procurado, o Banana Jack informou que cuida do espaço, antes ocupado pela mendicância, e que os restaurantes deram segurança ao público que frequenta a praça. A Fazendola informou que está há 20 anos no local e nunca recebeu reclamações, sempre mantendo o diálogo com as associações de moradores do bairro.

A Mercearia da Praça e o Le Pulê não retornaram os contatos da reportagem.

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