Casa na Zona Sul: ainda dá para ter uma?

Achar um terreno ou uma casa na Zona Sul do Rio é cada vez mais difícil – uma caça ao tesouro, tanto para incorporadoras quanto para moradores. Pela falta de espaço, não há muitas opções. Além disso, cada bairro tem suas dificuldades. No Jardim Botânico e na Gávea, por exemplo, há muitas residências milionárias que precisam de reforma, o que sairia caríssimo e não valeria o custo final. No Leblon e Ipanema, queridinhos das construtoras, a conta que não fecha é pagar por um terreno com restrições construtivas ou com casas tombadas.

Esse mesmo problema acontece nas casas em Laranjeiras e Botafogo. O retrofit aumenta consideravelmente o preço do imóvel. As vilas em Botafogo ainda têm outra característica, semelhante ao que ocorre na Urca e nas mansões milionárias do Jardim Pernambuco: só entra morador novo quando algum vai embora. Simplesmente, não há espaço para construir. Em pontos como Santa Teresa e nos bairros em torno do Aterro do Flamengo, a falta de segurança pesa, pelas portas e janelas que dão diretamente para a calçada.

GÁVEA E JARDIM BOTÂNICO

Ainda assim, como tudo que é raro, as casas têm um público fiel. No Jardim Botânico e na Gávea, ainda há um ou outro terreno para abrigar esse tipo de imóvel – e as construtoras já estão atentas a isso.

No ano passado, os arquitetos Miguel Pinto Guimarães e Sergio Conde Caldas lançaram o Opy.Ará, um condomínio com oito casas no Alto Jardim Botânico (a R$ 8,5 milhões cada). Caldas diz que foi um feito inédito e difícil de se repetir. 

– Não há outro terreno como aquele. O mercado das casas tem demanda, mas poucas possibilidades, pois não há qualquer estímulo da legislação para se construir casas no Rio. Com isso, os apartamentos se tornaram praticamente a única opção – diz ele que aposta, com a construtora Concal, em um projeto na Gávea também só de casas. 

– No Jardim Botânico, a maior movimentação de compra é nas ruas atrás da Rua Lopes Quintas, onde há guaritas, segurança na rua e uma vizinhança atenta. Gávea, São Conrado e Urca continuam estáveis.

Por outro lado, afirma ele, o mercado de compra de terrenos com casas aqueceu em torno de 60%.

– São clientes com bastante potencial financeiro que estão dispostos a pagar elevada quantia para serem proprietários de uma unidade nesse local.

Fonte: Ademi RJ

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