Como a realidade virtual está mudando o mercado imobiliário

Já triviais no mundo dos games, experiências de imersão como realidade virtual ou realidade aumentada continuam a adentrar outros setores da indústria de tecnologia. O ramo imobiliário é um desses que vem adotando essas ferramentas com adicionais sofisticados e preços atrativos para consumidores e empresas.
Alguns dos projetos foram apresentados durante a MIPIM PropTech, conferência de tecnologia realizada em Paris nesta penúltima semana de junho. Todos têm em comum o objetivo: transformar a rotineira experiência do “visite o decorado” em algo mais próximo do real, fator que pode ser determinante para o cliente decidir.
No Cazaquistão, uma de nossas parceiras recentemente vendeu 40% das unidades de um edifício com ajuda desse sistema”, explica Ashton Kehinde, gerente de negócios da The Parallel. A empresa britânica cria modelos completos de edifícios em realidade virtual, da calçada à parede.
Ao colocar os óculos – conectados a um computador e pareados com dois rastreadores de localização -, o cliente entra no que seria o bairro onde estará sua nova casa. Ao usar os botões, ele passeia entre áreas comuns e chega a seu apartamento. Diferentes texturas, reflexos, sombras e jogos de iluminação dão veracidade ao modelo virtual.
Kehinde explica que a equipe da The Parallel é formada por arquitetos e desenvolvedores. O projeto de virtualização de uma planta leva dois meses e custa cerca de cinquenta mil euros. O valor, que depende do tamanho da modelização, pode parecer alto, mas o gerente discorda. “Uma maquete, que é apenas um modelo, pode custar até trinta mil euros”, afirma.
A francesa Quartus também desenvolve experiências de imersão virtual para o setor imobiliário. Uma consiste em um aplicativo que, rodando em um tablet, posiciona móveis virtuais em ambientes reais por meio da realidade aumentada. A outra faz concorrência à Parallel, mas o grupo francês adicionou diferenciais além dos óculos estereoscópicos.
Durante um passeio pelo modelo 3D de apartamento, é possível se sentar em um sofá de couro e sentir o vento de uma janela aberta, o calor de um forno aceso e mesmo o cheiro de um bolo assando. O esquema é simples: a sala real por onde o cliente se movimenta tem um aparelho que libera odores e calor, um sofá de verdade e um ventilador comum. A ilusão está feita com os óculos de realidade virtual e as imagens que vem aos olhos.
Segundo Renaud Marco, diretor da área de realidade virtual da companhia, essas novidades ajudam o cliente a decidir na hora de comprar um dos bens mais importantes de sua vida. Além disso, elas contribuem mais com a realidade do que pode parecer. “Nesses modelos, não é possível aumentar o tamanho da unidade”, diz ele. “O que você vê é a metragem real do apartamento”.
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