Com investimento de R$ 2 bi, Rio planeja metrô leve para o Aeroporto do Galeão

Um metrô leve de superfície é a aposta do governo do Rio para aumentar o número de passageiros do Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), na Ilha do Governador, Zona Norte da capital. Um projeto ambicioso, que custa R$ 2 bilhões e depende de um acordo com a União para utilização de recurso federal oriundo da outorga paga pela concessionária RioGaleão.

A proposta é uma linha de 17 quilômetros de extensão, com sete estações que seriam percorridas em 15 minutos, a partir do metrô do Estácio. Os passageiros cruzariam parte da Região Central e da Zona Norte, em trajeto que, segundo o projeto, atenderia não apenas aos turistas, mas serviria os moradores das localidades por ela cortadas, desatrelando o serviço da dependência exclusiva da demanda do aeroporto.

Segundo a concessionária RioGaleão, o fluxo de passageiros do aeroporto em 2019 foi de 14 milhões de passageiros. De acordo com o projeto, obtido com exclusividade pela CNN, o novo serviço transportaria diariamente até 130 mil pessoas quando consolidado.

No mezanino da estação do metrô Estácio, os passageiros já fariam o check in e poderiam despachar suas bagagens. As demais estações seriam: Rodoviária, Into, Vila do João, Maré, Hospital Universitário Clementino Fraga (Ilha do Fundão) e Galeão. No Fundão, o objetivo é atender a comunidade acadêmica da Cidade Universitária da UFRJ e as empresas instaladas no Polo Tecnológico do campus. No local, haverá integração com o BRT Transcarioca.

O percurso será feito às margens da Linha Vermelha, próximo a áreas conflagradas. De acordo com o secretário, o serviço envolverá um forte esquema de segurança, para que os passageiros se sintam totalmente protegidos.

Sem recursos para arcar com a obra, o estado busca uma parceria com a União para empregar os recursos pagos pela concessionária RioGaleão ao governo federal para explorar o equipamento: a outorga. O montante tem sido de cerca de R$ 1 bilhão por ano, e o próximo pagamento está previsto para 2023. O contrato da concessionária vale até 2039.

Defensor do projeto, o secretário de Transporte Delmo Pinho entende que a medida segue os padrões dos principais aeroportos do mundo: “Um aeroporto internacional é um motor econômico, mas ele precisa ser alimentado. Esse projeto vai aumentar a demanda de passageiros e facilitar o acesso ao aeroporto. Esse modelo reproduz o que acontece nos aeroportos mundo afora. Se a União permitir, esse recurso será empregado para melhorar a operação de um equipamento que pertence a ela mesma, o aeroporto”, afirma.

A linha terá um trem maior que o do VTL, que circula no Centro, mas menor que o do metrô, e a operação será por meio de um consórcio privado. Ainda não está definido se será um veículo comum ou monotrilho. Está prevista também a existência de um vagão VIP, que só seria acessado no Estácio, na Rodoviária e no Fundão, para dar privacidade aos passageiros que prefiram viajar isolados pagando uma tarifa mais cara. Neste caso, não seria possível acessar essa parte da composição estando no interior do trem.

Embora a fase inicial seja de 17 quilômetros, o projeto abre a possibilidade de expansão para atender mais partes da Ilha do Governador, ligando o Hospital da Força Aérea do Galeão à Portuguesa, em um trecho de três quilômetros. Segundo Delmo Pinho, o assunto será levado pelo governador Cláudio Castro (PSC) para tratativas com o governo federal nas próximas semanas.

Disputa predatória no ar

O metrô leve é parte de um pacote de medidas que pretende reforçar o fluxo de passageiros do Galeão, operado pela iniciativa privada. Nos últimos anos, o aeroporto tem perdido passageiros para o Aeroporto Santos Dumont, gerido pela Infraero. Para o secretário, os dois aeroportos precisam trabalhar de forma integrada, respeitando as vocações de cada um. Isso, de acordo com ele, permitiria ajudar a resgatar o aeroporto como o principal hub do país.

“O Galeão recebeu nos últimos anos mais de R$ 10 bilhões em investimentos, é um patrimônio do país, tem uma das melhores infraestruturas aeroportuárias da América Latina. Com tantos voos no Santos Dumont, que é destinado a voos regionais e da Ponte Aérea Rio-São Paulo, o Rio tem perdido voos internacionais para Guarulhos e Brasília, que acabam alimentados pelo Santos Dumont. Isso deixa de gerar empregos aqui e os leva para esses lugares. Alguém tem dúvidas sobre o potencial do Rio de Janeiro ser maior que o de Brasília?”, questiona.

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