Botafogo é o bairro preferido de quem deseja morar na Zona Sul

Em quatro anos, o bairro teve o maior número de lançamentos na região, segundo a Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário, e 82% foram vendidos

Caminhar pela orla ao amanhecer, depois passar no mercado para abastecer a casa de frutas, deixar o filho na escola e, de noite, curtir um cinema ou um restaurante. Em Botafogo, é possível fazer tudo isso a poucos metros de casa. Com farta oferta de farmácias, bancos, hospitais, mercado, cultura, lazer e gastronomia, o bairro recebe de braços abertos quem procura uma de suas ruas para morar.

Dentro de Botafogo, é possível encontrar microrregiões. A Rua Conde de Irajá, por exemplo, é o celeiro dos restaurantes de alta gastronomia, enquanto o quarteirão da Voluntários da Pátria mais próximo à praia é rodeado de ótimos botecos. As ruas Fernandes Guimarães, Arnaldo Quintella e Álvaro Ramos oferecem bares, boa comida e brechós descolados, à espera do público hype da cidade.

O bairro tem diversidade também quando o assunto são as escolas. A Rua São Clemente, por exemplo, é famosa por abrigar colégios de diferentes linhas pedagógicas, que vão de instituições tradicionais de cunho religioso às mais progressistas. Botafogo também é bem servido em opções de ensino superior e pós-graduação. O bairro tem campii de faculdades particulares de renome, como a Fundação Getulio Vargas (FGV), Santa Úrsula, Instituto de Medicina de Reabilitação (IBMR) e Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha). A Universidade Veiga de Almeida (UVA) inaugurou, este ano, um campus na Rua Dezenove de Fevereiro, na sede do antigo Colégio Santo Amaro.

Números da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ) mostram que Botafogo é a bola da vez entre os bairros da Zona Sul. Entre os anos de 2017 e 2020, ficou em segundo lugar no ranking de bairros com maior quantidade de lançamentos na cidade do Rio, superando os tradicionais em volume de novos imóveis Jacarepaguá, Recreio e Campo Grande. Na Zona Sul, no mesmo período, foi o bairro com mais lançamentos, seguido de Flamengo e Leblon. Ainda de acordo com a Ademi, 82% do que foi lançado entre os mesmos anos foi vendido.

— Botafogo é um bairro em transformação. Vem se revitalizando e se transformando por vários motivos. Um deles é a valorização de outros bairros da Zona Sul, o que gera desenvolvimento em bairros adjacentes. Ele se valorizou a reboque da pouca oferta em bairros já consolidados, como Gávea, Ipanema, Jardim Botânico e Leblon — explica Claudio Hermolin, presidente da associação.

A oferta de terrenos fez com que o bairro recebesse novos empreendimentos, pautados no  perfil contemporâneo de famílias. Os imóveis ofertados são mais compactos, não exigem vagas de garagem nem dependência de empregados.

— A família média agora é menor, tem de um a dois filhos. Muitos casais não querem ter crianças. Botafogo é abastecido de metrô. A ausência de garagem torna o imóvel mais barato e adequado à nova dinâmica da cidade, com pessoas que querem se locomover em um transporte público de qualidade — comenta Claudio.

O presidente da associação aponta que Botafogo difere de outros bairros porque tem a característica de receber moradores que decidem mudar de bairro.  Ele indica ainda dois perfis de cariocas:

— Todos os bairros têm a sua população cativa. As pessoas que nascem ali e não querem sair do bairro. Mas Botafogo assumiu protagonismo recebendo pessoas que saíram da Zona Norte para a Zona Sul e o que eu chamo de “filhos da Zona Sul”, a geração que nasceu em bairros consolidados e com pouca oferta, mas quer permanecer na região.

Com o crescimento populacional, cresce a oferta de serviços. E, com isso, a procura pela praticidade do bairro também aumenta. O chef de cozinha Jonas Ferreira, de 35 anos,  mudou-se para o bairro em novembro de 2020. Então morador da Tijuca, ele buscou um imóvel que fosse mais perto do trabalho, mas acabou ganhando em outras frentes.

— Ganhei qualidade de vida. Em um raio de dez minutos tenho Casas Pedro, hortifrúti, redes de supermercado. Mais variedade e qualidade de produtos. Aqui encontro boas padarias, açougues com carnes exóticas, como a de javali — relata.

Como apreciador da boa gastronomia – seja ela alta ou baixa –, Jonas desfruta da variedade de oferta quando o assunto é comes e bebes.

— Vou muito aos restaurantes da Rua Nelson Mandela, adoro uma pizzaria pequena, como a Ferro e Farinha. Também sou amante dos botecos. Aqui tem cerveja para todos os gostos. É um bairro que te traz descobertas constantes. Tem muitas feiras livres, de produtos orgânicos, de artesanato — comenta ele.

Além da oferta de serviços, Botafogo chama atenção pela localização e pela mobilidade fácil. Sua localização permite deslocamento fácil para todos os bairros da Zona Sul, seja de metrô, ônibus ou bicicleta, e no sentido Centro da cidade. O jornalista carioca Bernardo Camara, de 35 anos, ficou fora do Rio por 11 anos. Em janeiro, de volta à cidade, buscou um apartamento que fosse perto da praia, mas em uma região com preços mais acessíveis.

— Isso possibilita uma qualidade de vida maior. Só de sair para dar uma caminhada, ter vistas maravilhosas, poder dar um mergulho já ajuda. Botafogo tem uma localização estratégica para o dia a dia. É perto do Centro e de áreas de lazer ao ar livre, então você consegue fazer sua vida de forma prática — avalia ele.

Depois de uma temporada morando na Tijuca, a jornalista e diretora da Agência Forrest Carla Knoplech, de 35 anos, retornou ao bairro onde viveu dos 3 aos 29 anos em março de 2020.

— Botafogo tem uma palavra que o define: charme. É um lugar genuinamente charmoso. E acho que isso passa pela qualidade do que ele oferece, sem pretensão. Os moradores gostam da gastronomia benfeita, diferente. É um espaço democrático e com pessoas descomplicadas. Numa ponta tem a Cobal, para as famílias; no outro, os botecos da Voluntários, restaurantes estrelados ao lado de pés-sujos. Tem cinemas, museus, parques, cafés e a Livraria da Travessa — opina.

Carla se mudou para o bairro exatamente no dia 14 de março, o último sábado antes do primeiro decreto de lockdown no Estado do Rio por conta da pandemia do novo coronavírus. Durante um passeio pelas ruas, depois de alguns meses confinada, ela percebeu que é hora de incentivar os pequenos e grandes negócios da região. Surgiu então a ideia de implementar na agência um projeto que ajudasse o bairro. Foi aí que nasceu o “Levanta, Botafogo”, perfil nas redes sociais para divulgar os serviços e opções de gastronomia e delivery.

— A ideia é fazer com que as pessoas consumam e ajam localmente. É a micropolítica. Tivemos um feedback maravilhoso, divulgamos bares, moradores que criaram pequenos negócios com delivery, serviços.  São ciclos que se renovam — comenta ela.

A expectactiva de Claudio Hermolin é de que Botafogo continue em franca expansão:

— O bairro deve continuar se consolidando. É claro que, quanto mais empreendimentos recebe, menos oferta de terrenos. Mas ele já é desejo de destino dos cariocas e vai continuar tendo  grande volume de empreendimentos por bastante tempo ainda.

FONTE: O GLOBO RIO

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