Selic em alta impacta classes D e E, mas mercado permanece otimista.

Pesquisa Datafolha encomendada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) aponta que o sonho de ter casa própria é o principal motivo de os brasileiros das classes D e E investirem. Divulgado nesta semana, o Raio-X do Investidor Brasileiro incluiu essa faixa de renda pela primeira vez em seu levantamento. Os dados mostram que 34% do grupo poupam para comprar imóvel, percentual maior do que nas classes A, B e C.

O que pode dificultar esse sonho, entretanto, é o acesso ao crédito imobiliário, principalmente com a disparada da Selic desde o início do ano. Com a elevação da taxa a 12,75%, na última semana, em sua 10ª alta consecutiva, a Selic chegou a seu maior patamar desde 2017.

Mesmo quem já tinha até assinado contrato de compra em 2021 está sentindo o impacto da recente alta dos juros, como é o caso de Maviael Santos, que começou a pagar seu financiamento só agora, três anos depois do lançamento, vendo o preço de seu imóvel subir de R$ 370 mil para R$ 520 mil. A experiência de Maviael virou até reportagem do Jornal Nacional.

O aumento da Selic divide opiniões dentro do mercado imobiliário. Há quem veja essa alta da taxa com preocupação, por vislumbrar um afastamento do investidor, que pode passar a dar preferência a outros tipos de investimentos.

Por outro lado, muitos players entendem a necessidade de aumento da Selic para conter a inflação e manter as boas perspectivas para o setor, como é o caso da Abrainc. Inclusive, dados do Indicador de Confiança do Setor Imobiliário Residencial, da Deloitte, apontam que 80% das incorporadoras pretendem continuar comprando terrenos para mais lançamentos.

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